Derrotado na disputa pelo Governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB) ainda não declarou apoio a nenhum dos candidatos do segundo turno presidencial, e seus quase 2,5 milhões de eleitores viraram alvo das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) no estado. A votação está marcada para 25 de outubro.
No 1º turno, Ciro teve 46,22% dos votos válidos, contra 53,19% do governador reeleito Elmano de Freitas (PT). Na disputa presidencial, Lula venceu no Ceará com 63,29% (3.555.263 votos), contra 31,27% (1.756.850) de Flávio, que ficou à frente em apenas um dos 184 municípios do estado, Morrinhos.
A aposta do governo
Elmano tem dito que boa parte do eleitorado de Ciro não é bolsonarista e pode votar em Lula, segundo o O POVO. O governador cita o movimento “Cirula”, de eleitores que votaram em Ciro para governador e em Lula para presidente. Em visita ao jornal, em 9 de outubro, Elmano avaliou que Ciro teria dificuldade para apoiar qualquer um dos dois candidatos sem contrariar o próprio discurso de campanha.
A campanha de Lula no estado é coordenada por Camilo Santana (PT-CE), senador e ex-governador, com o objetivo de ampliar a votação do presidente no Nordeste e reduzir a abstenção. Em ato na Avenida Paulista, em São Paulo, no domingo (11), ao chamar Elmano para discursar, Lula disse que o governador “enterrou a carreira política do Ciro Gomes”, segundo vídeo do evento publicado pelo Diário do Nordeste.
A aposta da oposição
Do outro lado, André Fernandes (PL-CE), deputado federal mais votado do Ceará, com 684.372 votos, e presidente estadual do PL, tem pedido aos eleitores de Ciro que votem em Flávio e argumentado que anular o voto favorece Lula, segundo o O POVO. A deputada estadual Dra. Silvana (PL) disse ao jornal que a estratégia é conquistar quem votou em Lula e em Ciro no 1º turno. O deputado federal Danilo Forte (PP-CE), apoiador de Flávio, tenta convencer Ciro a aderir à campanha do senador.
Silêncio e ação na Justiça
Desde a eleição, a principal manifestação de Ciro foi contestar o resultado estadual. Na quarta-feira (14), a coligação “Unir para Mudar” pediu ao Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) a cassação da chapa de Elmano e uma nova eleição, alegando abuso de poder midiático. Em nota, a campanha do governador disse lamentar que Ciro “continue desrespeitando a democracia”.
Nacionalmente, o PSDB liberou seus filiados no segundo turno, e o diretório cearense, comandado por Ciro, não se posicionou. A deputada estadual Lia Gomes (PSB), irmã do ex-ministro e aliada de Elmano, disse ao O POVO acreditar que ele não vai se manifestar. Até a publicação desta reportagem, Ciro não havia declarado voto.

