Governo Trump cobra mais medidas do Brasil para conter imigração irregular aos EUA

Diante do aumento do número de brasileiros apreendidos na fronteira, o governo Trump está avaliando medidas adicionais além das deportações

Paul Ratje – 20.mar.19/AFP

O governo dos Estados Unidos cobrou nesta segunda-feira, 27, ao governo Bolsonaro por uma ação mais “agressiva” para diminuir o número de imigrantes brasileiros irregulares que tentam entrar nos EUA.

Em 2019, o número de brasileiros apreendidos ao tentar atravessar de forma irregular a fronteira dos Estados Unidos bateu o recorde de 18 mil. O número representa um aumento de 600% em relação ao pico, registrado em 2016, de 3.252 brasileiros barrados.

Ken Cuccinelli, número dois do DHS (Departamento de Segurança Interna), durante uma conferência telefônica com jornalistas, afirmou que Washington gostaria que o Brasil adotasse uma postura “mais agressiva” no tema.

Há um grande número de ilegais [do Brasil] vindo aos Estados Unidos e é preciso encarar isso. E [as autoridades brasileiras] precisam começar a lidar com a situação de forma mais agressiva do que no passado”, disse Cuccinelli.

Cuccinelli, apesar da cobrança, também afirmou que o atual governo do Brasil adotou medidas para desencorajar a imigração irregular.  Destacando como exemplo a expedição de documentos que facilitam os processos de deportação. 

A matéria da Folha de S. Paulo desta segunda-feira trouxe mais destalhes sobre as ações recomendadas pelos EUA. De acordo com o jornal, o subsecretário afirmou ainda que, diante do aumento do número de brasileiros apreendidos na fronteira, o governo Trump está avaliando medidas adicionais além das deportações.

Citando, por exemplo, que Washington atualmente mantém conversas com o governo mexicano sobre o MPP (Protocolo de Proteção de Migrantes), programa pelo qual imigrantes detidos tentando entrar de forma ilegal nos EUA pelo território mexicano são enviados de volta ao país latino-americano. 

Eles então esperam no México a análise das suas solicitações de asilo pelas autoridades americanas e só são autorizados a entrar nos EUA caso recebam luz verde de uma corte de imigração.

Ao comentar sobre as conversas com o México sobre o MPP, Cuccinelli indicou que brasileiros podem passar a receber o mesmo tratamento.  

Também preocupam os americanos, segundo Cuccinelli, casos de cidadãos de outros continentes que têm usado o Brasil como um ponto de partida para tentar entrar de forma irregular nos EUA.

O Brasil tem sido uma espécie de conduíte para pessoas de fora do hemisfério ocidental que vêm aos Estados Unidos”, declarou.

Nós esperamos ver um policiamento melhor e mais segurança, na forma como falamos sobre medidas de segurança de nações da América Central”, complementou, citando políticas de controle migratório tomadas por países como El Salvador, Guatemala e Honduras, além do próprio México.

“Eles estão policiando as suas próprias fronteiras, estão buscando e protegendo melhor a sua soberania. Nós gostaríamos de ver o Brasil fazendo mais isso. Além de acelerar o retorno dos seus nacionais que estão vindo ilegalmente para o nosso país. É uma parte importante de ser um bom aliado.” 

Em outra frente para lidar com o crescimento do fluxo de imigrantes aos EUA, o governo Trump solicitou formalmente a Brasília a autorização para fretar mais voos para deportar brasileiros que tentam entrar pela fronteira sem autorização. 

Foram realizados dois voos desse tipo desde outubro de 2019. 

Na conferência telefônica desta segunda, Cuccinelli afirmou que os EUA gostariam que o Brasil se responsabilizasse por esses voos -atualmente o aluguel de aeronaves para essa finalidade é pago pelo governo americano.

*Com informações da Folha de S. Paulo

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Sobre Rayssa Leonel

Graduada em Jornalismo pela UFCA - Universidade Federal do Cariri. Pesquisadora e caririense bem orgulhosa.

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