Maia afirma que Guedes proibiu secretários de dialogar com ele

Em entrevista após receber a PEC da reforma administrativa, Maia afirmou que não consegue mais conversar diretamente com a equipe econômica do Governo




Os corredores do Congresso Nacional e a esplanada dos ministérios estão em polvorosa. Na noite de ontem, 03, em entrevista ao canal de notícias GloboNews, o Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, afirmou que não possui mais interlocução com o Ministro da Economia do governo Bolsonaro. Maia foi categórico ao dizer, também, que os secretários do ministério estão proibidos de estabelecer diálogo com ele.

Essa situação põe por terra as observações de que o Governo e o Congresso caminhariam para um momento de maior tranquilidade e equilíbrio. Os estremecimentos entre entes do executivo federal e o presidente da Câmara vem sendo comuns desde o início da atual gestão.

Na entrevista concedida ao jornalista Nilson Klava, Rodrigo Maia foi incisivo ao apontar um exemplo claro da desconstrução da relação entre as duas instâncias administrativas. Maia disse: “Eu não tenho conversado com o ministro Paulo Guedes. Ele tem proibido a equipe econômica de conversar comigo. Ontem, a gente tinha um almoço com o Esteves (Colnago, assessor especial) e com o secretário do Tesouro (Bruno Funchal) para tratar do Plano Mansueto, e os secretários foram proibidos de ir à reunião”

Nesta quinta-feira,03, ocorreu a entrega do texto inicial da reforma administrativa proposta pelo Governo, nem Guedes ou seus auxiliares compareceram ao momento, considerado importante por todo o alto escalão do executivo bolsonarista. Estiveram no salão nobre do Congresso o ministro Jorge Oliveira (Secretaria-Geral) e os líderes do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO) e deputado Ricardo Barros (PP-PR). Apesar do estremecimento apontado, Maia disse que isso não será empecilho para a tramitação da reforma. Reforma, aliás, demasiadamente complicada, pouco elaborada e de rasa observação sobre as questões do serviço público.

Segundo o presidente da Câmara, atualmente sua interlocução com o Planalto se faz a partir do ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos. Esse contexto tende a esvaziar, ainda mais, a figura de Paulo Guedes, que vem sendo constantemente criticado e rebatido publicamente por Bolsonaro. Além disso, tem observado suas ponderações serem seguidamente desconsideradas e sua equipe econômica partir em debandada. Guedes, nitidamente, já não dispõe da carta branca, em tese, prometida. Seu lugar de influencia está sendo ocupado por Rogério Marinho (Ministro do Desenvolvimento Regional) e Luiz Eduardo Ramos, que agora é a ponte entre a Câmara e o Planalto.

Procurado, o Ministério da Economia optou por não comentar as declarações de Maia.

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Sobre Paulo Junior

Graduando em jornalismo pela UFCA e um apaixonado por política, literatura e cinema

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