Reeleito no primeiro turno, o governador Elmano de Freitas (PT) tem pela frente uma tarefa que vai além do próprio mandato: entregar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) uma votação ainda maior no Ceará no segundo turno, em 25 de outubro. A coordenação da campanha no estado estabeleceu como meta levar Lula a 70% dos votos válidos — um salto que, nas contas do próprio comando petista, exige cerca de 350 mil votos a mais em relação ao primeiro turno.
O ponto de partida
No dia 4 de outubro, Lula recebeu 3.555.263 votos no Ceará, ou 63,29% dos válidos, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O senador Flávio Bolsonaro (PL) teve 1.756.850 votos (31,27%). Lula venceu em 183 dos 184 municípios; a exceção foi Morrinhos, onde Flávio ganhou por 112 votos. Foram registrados ainda 103.295 votos em branco e 189.362 nulos.
O peso do estado é maior porque, no país, a disputa está apertada: Flávio terminou o primeiro turno à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Por isso o Nordeste — e o Ceará, um dos maiores colégios eleitorais da região — virou peça-chave para a campanha petista.
Onde estão os votos que faltam
Segundo o coordenador da campanha, Chagas Vieira, em entrevista ao colunista Inácio Aguiar, do Diário do Nordeste, a estratégia é combinar “redes e rua”, com foco no eleitor jovem, e acompanhar os 184 municípios para reduzir a abstenção no interior e conquistar quem votou em branco ou anulou.
A margem é estreita. O Ceará já teve a menor taxa de abstenção do país no primeiro turno, 15,52%, mas mais de 1 milhão de eleitores não foram às urnas. Em 26 municípios do interior, a ausência passou de 20%, e seis deles ficam no Cariri, segundo levantamento do Diário do Nordeste com dados do TSE. Somados, brancos e nulos chegaram a cerca de 292 mil votos — menos do que a meta, o que obriga a campanha a buscar também eleitores de outros candidatos e quem ficou em casa.
O fator Ciro e a disputa de 2028
Outro desafio é o eleitorado de Ciro Gomes (PSDB), derrotado por Elmano na disputa pelo governo, que é cortejado tanto pelo PT quanto pelo bolsonarismo e cuja coligação ainda contesta o resultado na Justiça Eleitoral. Em Fortaleza, onde Ciro ficou à frente de Elmano, o segundo turno também antecipa a eleição municipal: o prefeito Evandro Leitão (PT) coordena a campanha de Lula na capital, enquanto o deputado federal André Fernandes (PL) comanda o principal palanque de Flávio no estado, num confronto que o colunista Érico Firmo, de O Povo, trata como prévia da disputa pela Prefeitura em 2028.
O que diz a oposição
Do lado do PL, a aposta é ampliar a votação de Flávio nas maiores cidades e na Região Metropolitana, onde ele teve seus melhores desempenhos, como Eusébio (45,32%), e mobilizar o eleitorado conservador com atos na reta final. Para o partido, reduzir a diferença no Ceará também é decisivo, já que cada voto a menos para Lula no Nordeste pesa no resultado nacional.

