Moro pede demissão e aponta interferência de Bolsonaro na PF

Moro ainda destacou a autonomia da PF no governo do PT

Na manhã desta sexta, 24, após exoneração do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, ser publicada no Diário Oficial da União, o ex-juiz, Sérgio Moura, anunciou a sua demissão do Ministério da Justiça.

Em coletiva de imprensa, o ex-ministro afirmou que estava deixando o cargo e que não assinou a exoneração de Valeixo. Na publicação do Diário estão presentes as assinaturas de Moro e do presidente Bolsonaro.

“A exoneração [de Valeixo] que foi publicada: eu fiquei sabendo pelo Diário Oficial, pela madrugada. Eu não assinei esse decreto. Em nenhum momento isso me foi trazido”, disse Moro.

Entre os fatores apresentados por Moro para sua saída do governo Bolsonaro, o ex-ministro disse que o presidente quis interferir politicamente na Polícia Federal.

“Presidente me disse mais de uma vez que ele queria ter uma pessoa do contato pessoal dele [na Polícia Federal], que ele pudesse ligar, colher relatórios de inteligência. Realmente não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação. As investigações têm que ser preservadas.”

Segundo Moro, Bolsonaro tinha preocupação com inquéritos em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), e que a troca no comando da PF seria oportuna por esse motivo.

“O presidente também me informou que tinha preocupação com inquéritos em curso no Supremo Tribunal Federal e que a troca também seria oportuna da Polícia Federal. Por esse motivo, também não é uma razão que justifique a substituição. Até é algo que gera uma grande preocupação. Enfim, eu sinto que eu tenho o dever de tentar proteger a instituição, a Polícia Federal. E por todos esses motivos, eu busquei uma solução alternativa, para evitar uma crise política durante uma pandemia. Acho que o foco deveria ser o combate à pandemia. Mas entendi que eu não podia deixar de lado esse meu compromisso com o estado de direito.”

Sérgio ainda reconheceu a autonomia que a PF teve em governos anteriores, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) —2003 a 2010— e Dilma Rousseff (PT) —2011 a 2016.

“Foi garantida a autonomia da Polícia Federal durante esses trabalhos de investigação, é certo que o governo na época tinha inúmeros defeitos, aqueles crimes gigantescos de corrupção”, afirmou.

“Mas foi fundamental a manutenção da autonomia da PF para que se pudesse realizar esse trabalho”, completou.

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Sobre Rayssa Leonel

Graduada em Jornalismo pela UFCA - Universidade Federal do Cariri. Pesquisadora e caririense bem orgulhosa.

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