Programa social de Michelle Bolsonaro gasta mais em publicidade do que consegue arrecadar

Segundo divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo, o programa Pátria Solidária está com as doações estagnadas, e já gastou mais de R$9 milhões em publicidade.




Política

De acordo com levantamento feito pelo Jornal O Estado de S. Paulo, o programa Pátria Solidária, comandado pela primeira dama do Brasil, Michelle Bolsonaro, vem obtendo pouco sucesso no levantamento de fundos. Por sua vez, as campanhas publicitárias tem sido massivas. Segundo o jornal, até o mês de março de 2021 o Governo Federal havia empenhado R$9,3 milhões para difundir as ações do programa. Entretanto, as doações recebidas e repassadas para entidades que assistem pessoas em vulnerabilidade atingiram somente R$5,89 milhões.

O Pátria Solidária tem rendido bastante publicidade para a primeira dama, que constantemente realiza postagens em suas redes sociais. Porém, apenas a manutenção do site do programa já custou R$359 mil ao erário público. Nessa linha, salienta-se que o valor das doações advém de entidades privadas e pessoas físicas, no entanto, o dinheiro empregado nas campanhas de marketing e publicidade sai dos cofres governamentais.

Indica-se, também, que o conselho que define as instituições que serão atendidas pelas doações pouco tem se reunido. A entidade é composta por 15 dos 23 ministérios. Todavia, via de regra os ministros enviam assessores para as reuniões, ao todo aconteceram apenas três encontros até a presente data, a última delas foi 23 em fevereiro. As doações ao programa estão, ainda, praticamente estagnadas, em julho de 2020 o site da iniciativa mencionava um montante de R$10,8 milhões levantados. Agora, pouco mais de oito meses depois, o valor está em R$10,9 milhões. Destes, apenas R$5,89 milhões foi efetivamente repassado para entidades de cunho beneficente.

Campanhas Publicitárias

As atividades de publicidade foram desenvolvidas pela Artplan, agência do Rio de Janeiro e uma das principais prestadoras de serviço do Governo Federal. A produção de materiais exigiu o empenho de R$1,1 milhão. No entanto, o maior gasto esteve contido na compra de espaço na mídia, o principal beneficiado foi o Grupo Record, que recebeu R$1,38 milhão. A TV Globo recebeu R$839 mil.

Houve, ainda, o investimento de R$545 mil para propagandas em salas de cinema. Neste caso, a Casa Civil informou que a veiculação aconteceu antes do início da pandemia de Covid-19.

A divulgação online consumiu R$2,4 milhões. Destes, destaca-se a alocação de R$436 mil no Google, R$402 mil no Facebook e R$337 mil no Twitter.

Outras campanhas de publicidade

O Governo, como dito, investiu R$9,3 milhões na divulgação do Programa Pátria Solidária. Este valor equivale a quase cinco vezes o valor gasto na campanha de combate ao Aedes Aegypti, em 2020 foram empenhados R$2 milhões.

Já os gastos com a conscientização sobre os perigos da exposição infantil na internet consumiram, somente, R$1,9 milhão do orçamento da Secretaria de Comunicação (Secom). Aponta-se, ainda, que as inserções publicitárias sobre os cuidados ligados à Covid-19 também custaram menos que o Pátria Solidária. A ação voltada à pandemia captou R$6 milhões da Secom.

Questionada pelo O Estado de S.Paulo sobre as decisões de alocação orçamentária, a Secom não respondeu.

Sobre Paulo Junior

Graduando em jornalismo pela UFCA. Um apaixonado por política, literatura e cinema. E-mail: [email protected]

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