Segundo o levantamento, na semana de 4 a 11 de outubro, a primeira da campanha do 2º turno, o engajamento dos influenciadores de esquerda nas redes da Meta cresceu 783%, contra 162% dos de direita. Considerando só o Instagram, a alta foi de 1.195% para a esquerda e de 241% para a direita. Em números absolutos, a esquerda somou 49 milhões de interações na semana, contra 45 milhões da direita. Foi a única semana da série em que a esquerda ficou à frente.
Antes da campanha, os perfis de direita somavam cerca de 11 milhões de interações por semana, contra 4,6 milhões da esquerda. No 1º turno, a vantagem da direita foi de 25 milhões contra 11,5 milhões. O estudo mede apenas interações orgânicas e públicas, como curtidas, comentários e compartilhamentos, e não inclui alcance, impressões ou publicações impulsionadas. Foram acompanhados 13 perfis de direita e 9 de esquerda.
Janones e Nikolas
De acordo com O Globo, Janones teve 24,7 milhões de interações, e a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), 21,6 milhões. Três perfis concentram 76% do engajamento da esquerda no 2º turno: Janones (33%), Erika Hilton (29%) e o influenciador Jones Manoel (15%). Na direita, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) responde sozinho por 49% das interações do grupo, tanto no 1º quanto no 2º turno.
Em outro recorte da Bites, divulgado pelo Poder360, Janones aparece com 50,2 milhões de interações, à frente dos 42,5 milhões acumulados por Nikolas desde o início da campanha. Nikolas, porém, tem mais que o dobro de seguidores: 40 milhões, contra 17,5 milhões de Janones.
Segundo o diretor técnico da Bites, André Eler, a esquerda usou grandes comunidades organizadas no Telegram e no WhatsApp, com grupos de até 2 milhões de pessoas chamadas a interagir ao mesmo tempo. Na avaliação dele, isso gerou tração orgânica em massa sem violar as regras das plataformas.
A guerra dos canais
Do outro lado, a direita aposta na “Tropa do Flávio”, canal de WhatsApp anunciado no dia 8 por Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, e divulgado por Nikolas. Segundo O Tempo, o canal tinha mais de 1,7 milhão de seguidores em 14 de outubro.
O “Exército do Lula” também virou caso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No dia 11, a pedido da campanha de Flávio, que acusa o canal de espalhar desinformação, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, suspendeu o canal. No mesmo dia, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, liberou o canal. No dia 13, Nunes Marques voltou a suspendê-lo e depois reviu a decisão, quando a campanha de Lula informou o endereço do canal à Justiça Eleitoral. No dia 16, o TSE aprovou seis critérios para identificar canais ligados a campanhas, e basta um deles para caracterizar o vínculo. A coligação de Lula pediu que o canal de Janones não seja tratado como canal oficial. Janones nega divulgar informações falsas.
A virada também aparece nos perfis dos candidatos. Na primeira semana do 2º turno, o engajamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, cresceu 298% nas redes da Meta, no TikTok e no X, contra 110% de Flávio. Só no Instagram, as altas foram de 1.789% e 694%. O 2º turno será no domingo, 25 de outubro.

