Um grupo de manifestantes exibiu um míssil inflável com a frase “Trump, nuke Brazil” (“Trump, jogue uma bomba nuclear no Brasil”, em tradução livre) durante o ato em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, neste domingo (18), na Avenida Paulista, em São Paulo. O episódio foi registrado em vídeos que circularam nas redes sociais e noticiado por veículos como Metrópoles, SBT News e Estado de Minas.
Nas imagens, o grupo ergue o objeto, que levava adesivos com a bandeira dos Estados Unidos, e o carrega entre os manifestantes enquanto posa para fotos e vídeos. Um dos homens usava a bandeira americana nas costas. Até a publicação desta reportagem, os integrantes do grupo não haviam sido identificados.
Segundo o Metrópoles e o Estado de Minas, a organização do ato, chamado de “Bloco do 22”, havia pedido aos participantes que evitassem bandeiras e símbolos de outros países e se concentrassem nos símbolos nacionais. Mesmo assim, bandeiras dos Estados Unidos e de Israel apareceram na manifestação.
Reações
O caso foi explorado por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) publicou as imagens nas redes sociais e classificou o episódio como um escândalo. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), comparou o caso ao episódio em que a então deputada Carla Zambelli perseguiu um homem com uma arma às vésperas do 2º turno de 2022. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e o perfil oficial do PT também condenaram a cena.
Do outro lado, apoiadores do ato afirmaram nas redes que o grupo era formado por infiltrados, que teriam inflado o objeto em uma rua paralela, feito as imagens e deixado o local. Essa versão não foi confirmada. Até a última atualização desta reportagem, nem a campanha de Flávio nem os organizadores do ato tinham se manifestado publicamente sobre o episódio.
O ato
Segundo o Monitor do Debate Político no Meio Digital, grupo de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) que faz a contagem em parceria com o Cebrap e a ONG More in Common, o ato reuniu cerca de 71,9 mil pessoas no momento de pico, às 12h20, com margem de erro de 12%. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) estavam entre os presentes. A Polícia Militar não registrou ocorrências.
No discurso, Flávio repetiu que, se eleito, quer receber a faixa presidencial do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e disse que indicaria ao Supremo Tribunal Federal (STF) ministros contrários ao aborto e às drogas. O candidato falou pouco e afirmou que pouparia a voz para o debate com Lula, marcado para a noite deste domingo, na Band. O 2º turno será no próximo domingo (25).

