Coletes amarelos convocam novos protestos na França neste sábado e pedem renúncia de Macron

Movimento contra o custo de vida prevê atos em dezenas de cidades no sábado (24), uma semana após manifestações com prisões e saques; Macron promete impedir a desordem.

Jimmy Macedo

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PolíticaMundo
O presidente da França, Emmanuel Macron, durante evento em São Paulo em 2024
Emmanuel Macron em São Paulo, em março de 2024. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
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O movimento dos coletes amarelos convocou para este sábado (24) um novo dia de protestos contra o custo de vida na França, com uma marcha prevista para o centro de Paris. Segundo os organizadores, estão programadas 84 manifestações em cidades de todo o país, além de concentrações em rotatórias e praças. O grupo pede a renúncia imediata do presidente Emmanuel Macron (Renascimento) e apresenta o ato como preparação para uma greve geral marcada para 5 de novembro. Grupos estudantis também convocaram protestos para o mesmo dia, por mais investimento em educação.

A convocação chega uma semana depois dos atos de sábado (17), quando, segundo as autoridades francesas, cerca de 550 mil pessoas foram às ruas em dezenas de cidades. Os organizadores falaram em 800 mil. De acordo com a agência AFP, as manifestações foram majoritariamente pacíficas, mas houve confrontos com a polícia, saques a lojas e invasões de prédios públicos. Em Limoges, a prefeitura pegou fogo; em Marselha e Lille, manifestantes invadiram as sedes das prefeituras.

Os balanços sobre presos variam. O primeiro, divulgado pelas autoridades na noite do protesto, falava em cerca de 400 detidos. Levantamento posterior, citado pela rede americana CNBC, aponta quase 2,4 mil presos e cerca de mil policiais e gendarmes feridos.

O que dizem Macron e o governo

Em visita ao Catar, Macron afirmou a jornalistas que quem tentar provocar desordem nos centros das cidades no sábado será impedido, segundo relato da agência Reuters. O presidente também acusou líderes estrangeiros de espalhar desinformação sobre a crise e de tentar tirar proveito político da situação francesa. Depois dos atos do dia 17, ele já havia prometido que os responsáveis por ataques e saques seriam perseguidos e punidos.

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu, que comanda um governo minoritário, reuniu-se com líderes sindicais para tentar conter uma das piores crises recentes do país. Lecornu atribuiu a mobilização ao partido França Insubmissa, de Jean-Luc Mélenchon. A líder da extrema direita, Marine Le Pen (Reunião Nacional), também classificou os protestos como uma ação da extrema esquerda, que estaria se aproveitando de reivindicações sociais legítimas.

Por que os franceses protestam

Os manifestantes reclamam da alta dos combustíveis, dos alimentos e dos aluguéis. O preço dos combustíveis sobe desde o início da guerra no Oriente Médio. Ao mesmo tempo, o governo tenta aprovar um Orçamento para 2027 que prevê economia de 54 bilhões de euros para reduzir o déficit, num momento em que a dívida pública francesa atingiu o recorde de 3,6 trilhões de euros, o equivalente a 119% do PIB, segundo dados citados pela CNBC. Os juros dos títulos de dez anos do governo francês chegaram a 5%, o maior nível desde 2002, de acordo com a Reuters.

A nova onda de protestos lembra a mobilização dos coletes amarelos de 2018 e 2019, que começou contra o aumento de um imposto sobre combustíveis. Os organizadores também criticam Macron por não ter recebido o movimento no Palácio do Eliseu, como havia prometido. A França escolhe um novo presidente na eleição de 2027, à qual Macron não pode concorrer.

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