O Senado do Paraguai retomou nesta sexta-feira (6) o julgamento político (impeachment) do presidente Santiago Peña (Partido Colorado), acusado de “mau desempenho de suas funções” no caso do Ueno Bank, banco digital que sofreu intervenção do Banco Central. Na quinta-feira (5), Peña anunciou a renúncia em vídeo publicado no X, mas a Câmara dos Deputados não aceitou o pedido e manteve o processo. Com isso, ele segue formalmente no cargo.
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O que aconteceu com o Ueno Bank
O Ueno Bank tem cerca de 2,9 milhões de clientes. Na terça-feira (3), o Banco Central do Paraguai determinou a resolução da instituição depois de o índice de solvência cair para cerca de 6%, metade do mínimo legal de 12%. Os depósitos ficaram inacessíveis por pelo menos 15 dias.
Cerca de US$ 380 milhões do Instituto de Previsão Social (IPS), ligados a aproximadamente 32 mil aposentados, ficaram imobilizados, segundo a Infobae. Oito diretores do banco foram detidos em uma investigação por suposta lesão de confiança. O fundo de garantia cobre até 228,3 milhões de guaranis (cerca de US$ 38 mil) por depositante.
As acusações contra Peña
A oposição acusa o presidente de conflito de interesses: Peña foi acionista do Ueno Holding, controlador do banco, até o início de 2025. Ele também teria indicado para o comando do Banco Central Carlos Carvallo, que antes presidira a Financiera Ueno, antecessora do banco, e tolerado a concentração de recursos do IPS na instituição acima dos limites. As acusações ainda não foram comprovadas. Peña pediu a saída de Carvallo e anunciou um projeto de lei para acelerar a devolução dos depósitos.
O pedido de julgamento foi apresentado na quarta-feira (4) por 35 deputados da oposição e colorados dissidentes. A Câmara rejeitou, por 48 votos a 30, o processo contra o vice-presidente Pedro Alliana. No Senado, são necessários 30 dos 45 votos para destituir Peña.
Pedido de prazo e próximos passos
Antes da sessão desta sexta, a defesa de Peña, conduzida pelos advogados Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda, pediu 72 horas para se preparar. Segundo a agência EFE, o presidente afirmou que não poderia se defender “em menos de 12 horas” e que “isso não é devido processo”.
“Vou expor a minha verdade diante de toda a cidadania, ainda que resulte incômoda para muitos atores políticos.”
Se o Senado condenar Peña, Alliana assume a Presidência de imediato para completar o mandato, que vai até agosto de 2028, segundo o jornal paraguaio La Nación. O Partido Colorado já indicou o vice para a sucessão após reunião com o ex-presidente Horacio Cartes. A votação pode ocorrer ainda nesta sexta.
O Paraguai é sócio do Brasil no Mercosul e na usina de Itaipu. A crise ocorre a menos de um mês da cúpula do bloco, marcada para 4 e 5 de dezembro, em Montevidéu.
Com informações da Infobae, da EFE, do La Nación (Paraguai) e da NPR.






