Uma marcha de estudantes, professores e sindicalistas em defesa do financiamento das universidades públicas terminou em confronto com as forças de segurança em frente ao Congresso da Argentina, em Buenos Aires, nesta quinta-feira (15). A polícia usou gás lacrimogêneo e caminhões lança-água depois que um grupo de manifestantes, em sua maioria encapuzados, atirou pedras e outros objetos contra os agentes, segundo a agência AFP.
O ato principal reuniu milhares de pessoas e transcorreu de forma pacífica, de acordo com a AFP. O jornal argentino MDZ relatou 25 detidos e oito agentes feridos; outros veículos locais falam em mais de 30 detenções. Até a última atualização deste texto, não havia um balanço oficial consolidado.
A ministra da Segurança da Argentina, Alejandra Monteoliva, atribuiu os incidentes aos “violentos de sempre”. Em publicação nas redes sociais, afirmou: “Quieren imponer el caos, desafiar a las Fuerzas de Seguridad” (“Querem impor o caos, desafiar as Forças de Segurança”).
O que está em jogo
Os manifestantes exigem a aplicação imediata da Lei de Financiamento Universitário, aprovada pelo Congresso para reverter cortes no orçamento das universidades. Segundo a agência Reuters, o governo do presidente Javier Milei não cumpre a lei, apesar de várias decisões judiciais. A Universidade de Buenos Aires (UBA) afirma que os professores perderam cerca de 30% do poder de compra dos salários.
Na Justiça, o juiz federal Martín Cormick chegou a fixar multa diária ao chefe de Gabinete, Diego Santilli, enquanto persistisse o descumprimento de uma medida cautelar ligada à lei. A Câmara do Contencioso Administrativo Federal, porém, suspendeu as multas, e o recurso do governo seguirá com efeito suspensivo, segundo o MDZ.
Houve atos também em outras cidades, como Rosário, Córdoba e Mendoza. As universidades públicas se tornaram um dos principais focos de oposição ao ajuste fiscal promovido por Milei desde que ele assumiu a Presidência, em dezembro de 2023, com grandes marchas nacionais já em 2024.

