Ucrânia retoma ataques a refinarias russas e Zelensky diz se sentir traído por Trump

Fim da pausa de três dias ligada ao "cessar-fogo energético" anunciado pelo presidente americano expõe o desgaste entre Kiev e Washington.

Jimmy Macedo

Por

Mundo
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, de roupa preta, em pé em um salão escuro iluminado por holofotes, ao lado de drones e mísseis em exposição
Zelensky em exposição de armamentos ucranianos, em abril de 2026. Foto: Presidência da Ucrânia/Divulgação (CC BY 4.0)
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A Ucrânia voltou a atacar refinarias de petróleo da Rússia nesta quinta-feira (15), depois de uma pausa de três dias associada ao “cessar-fogo energético” anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano). Drones ucranianos provocaram um incêndio em uma refinaria na região de Ryazan, a cerca de 300 quilômetros de Moscou, segundo o Ministério da Defesa russo e o governador local, Pavel Malkov, de acordo com a agência Associated Press.

A retomada foi anunciada pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky (Servo do Povo), em entrevista ao jornal britânico Financial Times, na qual ele afirmou que o bloqueio aos ataques contra refinarias tinha acabado. Segundo Zelensky, Kiev suspendeu as ofensivas por três dias, mas Moscou continuou atingindo a rede elétrica e depósitos de combustível ucranianos no período.

Em entrevista ao programa de Piers Morgan no YouTube, na quarta-feira (14), Zelensky respondeu que sim quando perguntado se se sentia traído pelo governo Trump, e disse que os EUA estão perdendo um parceiro forte, segundo a AP e a CNN Brasil.

Diesel russo e Starlink

A trégua foi declarada por Trump na segunda-feira (12), mas nem Moscou nem Kiev confirmaram publicamente os termos anunciados. Na semana anterior, o americano havia fechado um acordo para importar diesel russo e pressionado a Ucrânia a interromper os ataques às refinarias, em movimento que, segundo a CNN, busca conter o preço da energia antes das eleições de meio de mandato nos EUA.

Zelensky também criticou restrições ao compartilhamento de inteligência e ao uso de terminais Starlink pelas forças ucranianas. O empresário Elon Musk respondeu que a versão militar do serviço, o Starshield, é controlada pelo governo americano. Trump, por sua vez, já afirmou que os EUA não pararam de compartilhar informações de inteligência com Kiev, segundo a AP.

Reação de Moscou

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que a Ucrânia nunca deixou de atacar refinarias, e o chanceler russo, Sergei Lavrov, classificou as ofensivas como um desafio direto a Trump. O Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter derrubado 166 drones ucranianos durante a noite. Já a Força Aérea da Ucrânia relatou 580 drones russos lançados contra o país, dos quais 536 foram abatidos. As versões dos dois lados não puderam ser verificadas de forma independente.

A refinaria de Ryazan, da estatal Rosneft, abastece Moscou e responde por cerca de 5% da capacidade de refino russa, segundo o jornal The Moscow Times. A unidade já havia sido atingida em maio, julho e setembro. Na quarta-feira, Zelensky esteve em Londres, onde se reuniu com o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham (Partido Trabalhista), e com o rei Charles 3º, em busca de apoio europeu.

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